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O ateliê Kumbharipa

O ateliê Kumbharipa é um espaço dedicado à produção e à pesquisa em arte, configurando-se como um ateliê de Artes Visuais com foco na linguagem escultórica, especialmente na cerâmica vitrificada. Suas investigações também atravessam a arte têxtil da renda de bilro, articulando narrativas oceânicas, cultura ilhoa e manifestações populares no contexto contemporâneo, voltadas à valorização da cultura e da paisagem do arquipélago de Santa Catarina, situado no Atlântico Sul brasileiro. Localizado na praia do Campeche, nas proximidades do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição e da Área de Proteção Ambiental da Baleia-Franca-Austral, o ateliê estabelece uma relação direta e cotidiana com o território onde está inserido, integrando arte, comunidade e paisagem costeira.

Orientado pelos princípios da ecologia social, o Ateliê Kumbharipa desenvolve obras e pesquisas comprometidas com a defesa das águas limpas e com o reconhecimento da importância dos ecossistemas marinhos para a continuidade da vida e da memória cultural das comunidades costeiras. O processo artistico relaciona realismo mágico, saberes tradicionais e consciência coletiva , afirmando o cuidado com as culturas ilhoas, com o oceano e com seus ciclos de existência

Cultura oceânica

O ateliê desenvolve projetos artísticos alinhados à Poética Oceânica e à cultura insular do Atlântico Sul, em diálogo com a Década do Oceano (UNESCO). A produção em artes visuais conecta a cultura popular ilhoa à arte contemporânea por meio de obras que exploram a tridimensionalidade, a instalação e a videoarte, fundindo o pitoresco e o realismo mágico. Nesse universo, a biodiversidade marinha inspira um imaginário de seres interespécies, onde o real e o fabuloso se encontram. Os patrimônios natural e cultural, aliados a temas oníricos do universo feminino marítimo, integram essa poética.

A pesquisa

Ao longo dos anos, desenvolve ações da pesquisa “Narrativas dos Povos do Mar”, investigação poética engajada do entrelaçamento entre o ser humano e o oceano, esse líquido primordial. Suas obras evocam um universo de seres e personagens das narrativas marítimas, presentes tanto no extenso cânone da literatura de viagem, construído por cronistas e viajantes, quanto nos relatos da cultura ilhoa.

Território e memória

A Cerâmica na Ilha de Santa Catarina: O território nas redondezas onde está inserido o Ateliê Kumbharipa, abrigou povos ceramistas desde a pré história; no mar aberto da costa Leste da ilha de Santa Catarina, a 1,5km do Ateliê, na Ilha do Campeche, foram encontrados admiráveis registros de fragmentos cerâmicos, por volta de 1300 anos atrás, dos povos originários, os habitantes de origem Gê chamados Itararés qe fabricavam potes e vasos. Na Lagoinha Pequena, há 700 metros ao norte do Ateliê, entre restingas e dunas, um grande vaso de cerâmica foi encontrado após escavações com datação aproximada de 900 anos atrás, advindo da preciosa cultura Guarany. O objeto faz parte do acervo do Museu Arqueológico da Universidade de Santa Catarina. A prática artística realizada no Ateliê estabelece um diálogo de respeito com a memória do território, se inspirando nos registros ancestrais presentes nos diabásios e granitos no Patrimônio da Ilha do Campeche, enaltecendo o ciclo migratório da baleia-franca-austral e a rica biodiversidade marinha da região.

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Marion De Martino é artista visual, formada pela Universidade Estadual de Santa Catarina. Vive imersa em uma comunidade urbana de pescadores artesanais, na zona costeira do Sul do Brasil, onde a cultura dos povos do mar inspira sua poética engajada, atravessada pelo universo feminino e pelos sonhos do oceano. Sua essência criativa reside na construção de relações humanas sensíveis às questões socioambientais, promovendo a causa das águas limpas na paisagem cultural que habita.
Com mais de duas décadas dedicadas a projetos de arte-educação pluricultural, Marion possui sólida experiência em arte relacional e ambiental, desenvolvendo pesquisas sobre o patrimônio natural e imaterial. Suas criações entrelaçam arte contemporânea e cultura marítima, delineando uma trajetória que se desenha na confluência da cultura oceânica, onde cerâmica e renda de bilro — a arte do fogo e do algodão . No berçário das baleias-franca-austrais, é cúmplice de avistamentos e migrações, enquanto molda o barro e rendeia a fibra, guiada pelo canto primordial do mar: OM.